Crutchlow destaca os desafios do calor extremo no MotoGP
Cal Crutchlow, piloto substituto da LCR Honda, afirmou que a corrida sprint do Grande Prêmio da República Tcheca foi “uma das corridas mais quentes que já fiz” e acredita que a MotoGP deve considerar a implementação de protocolos relacionados ao clima para proteger melhor os pilotos durante condições extremas.
Temperaturas elevadas em Brno
A corrida sprint de 10 voltas, realizada no sábado em Brno, ocorreu sob uma temperatura do ar de 33°C, enquanto a Europa enfrenta uma intensa onda de calor. Crutchlow, que atualmente está substituindo o piloto Johann Zarco, que se encontra lesionado, aposentou-se oficialmente das corridas no final de 2020. Durante a corrida, ele descreveu a experiência como “uma das mais quentes” que já teve.
Necessidade de protocolos climáticos
Crutchlow expressou sua preocupação com o calor intenso enfrentado pelos pilotos e enfatizou a necessidade de a MotoGP começar a pensar sobre a situação. Ele comparou a situação atual com outras modalidades esportivas que já adotam protocolos para lidar com condições climáticas adversas.
“Eu digo a você, estava muito quente hoje,” comentou Crutchlow, referindo-se ao calor após uma queda na última volta da corrida. “Estava tão quente. E você vê toda essa espera.”
Ele continuou: “Você vai para a grelha, então tenta sair da grelha porque está muito quente. Estava seriamente quente. Como uma das corridas mais quentes que já fiz. Sim, metade da corrida. Imagine 20 voltas se fosse hoje? E amanhã provavelmente será o mesmo.”
Comparações com outros esportes
Crutchlow ressaltou que, em sua opinião, a MotoGP precisa começar a considerar a implementação de um protocolo para lidar com o calor extremo, citando que outras modalidades esportivas, como a Fórmula 1 e o futebol, já possuem diretrizes estabelecidas para situações semelhantes.
Na Fórmula 1, a entidade reguladora, a FIA, pode declarar um “risco de calor” antes de um fim de semana de corrida se as previsões indicarem que uma sprint ou grande prêmio ocorrerá em temperaturas de 31°C ou mais. Caso essa declaração seja feita, os carros devem ser equipados com sistemas de refrigeração para os pilotos. Essa regra foi implementada após o Grande Prêmio do Qatar em 2023, onde os pilotos expressaram preocupações sobre a segurança devido ao calor.
No futebol, as diretrizes da FIFA estipulam que pausas para resfriamento devem ser realizadas se os jogos ocorrerem em temperaturas de 32°C ou acima, com atrasos ou suspensões sendo uma medida disponível para os organizadores das partidas.
A falta de uma união de pilotos
Para Crutchlow, a ausência de uma união de pilotos é um obstáculo para a introdução de qualquer protocolo relacionado ao clima. “O problema que você tem aqui é o mesmo de sempre, como já discuti antes, se houvesse uma união de pilotos, um cara correria, então todos correriam,” afirmou ele. “Infelizmente, e a organização sabe disso.”
Ele explicou que, em situações extremas, mesmo que um piloto decida não competir devido ao calor, os outros podem se sentir pressionados a participar para não perderem a oportunidade ou enfrentarem represálias de suas equipes ou patrocinadores.
"Porque eles não querem que alguém tenha uma vantagem, ou não querem que seus fabricantes digam a eles: ‘Ah, você não participou dessa corrida, então não está recebendo pagamento’. E essa é a realidade,” disse Crutchlow.
Quando questionado sobre por que a situação é diferente na Fórmula 1, ele respondeu: “Eles se unem.”
Dessa forma, Crutchlow destacou que a falta de coesão entre os pilotos da MotoGP em momentos críticos pode comprometer a segurança e o bem-estar dos competidores diante de condições climáticas adversas.