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Asas pertencem a aviões, não a bicicletas.

por Bernardo Oliveira
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Asas pertencem a aviões, não a bicicletas.

Mudanças nas Regras do MotoGP para 2027

Giacomo Agostini, renomado piloto e campeão mundial por 15 vezes, expressou apoio às mudanças abrangentes nas regras do MotoGP que entrarão em vigor em 2027. Ele acredita que essas alterações contribuirão para restaurar o equilíbrio entre o piloto e a máquina.

Regulamentações Técnicas e Alterações

O MotoGP operará sob as regulamentações técnicas atuais pela última vez este ano, antes de implementar um conjunto completamente novo de regras em 2027. As mudanças incluem a eliminação dos dispositivos de altura de pilotagem, restrições mais rigorosas sobre as asas aerodinâmicas e a redução da capacidade do motor de 1000cc para 850cc.

Agostini tem sido um defensor de tais mudanças, argumentando que o MotoGP moderno se tornou excessivamente dependente da tecnologia. Ele afirmou: “Eu tenho defendido mudanças há algum tempo. Há tecnologia demais hoje em dia.”



O Papel do Piloto nas Corridas

Agostini acredita que as regulamentações de 2027 permitirão que os pilotos tenham um papel mais decisivo na determinação dos resultados, algo que, na sua opinião, se perdeu nos últimos anos. Ele comentou: “Gostaria de ver os pilotos desempenhando um papel maior novamente, e que as vitórias dependessem mais deles do que da tecnologia. Hoje, eles pressionam um botão e a moto se abaixa. No passado, tudo estava no punho.”

Ele destacou que seu objetivo é tornar o papel do piloto mais importante e espera que as novas regras caminhem nessa direção.

Influência Aerodinâmica e Poder do Motor

Um aspecto fundamental das mudanças nas regulamentações é a redução da influência aerodinâmica, com a expectativa de que asas frontais menores diminuam a força de downforce. Agostini apoia fortemente essa ideia, afirmando: “As asas pertencem a aviões, não a motocicletas. Elas não pertencem a motos de corrida.”

Além disso, Agostini espera que a transição para motores de 850cc reduza a potência geral e melhore as corridas. Ele recordou: “Quando eu corria contra Mike Hailwood, Phil Read, John Surtees e Renzo Pasolini, tínhamos entre 100 e 150 cavalos de potência e ainda assim proporcionávamos um grande espetáculo.”

Desafios com a Potência Atual

Agostini ressalta que um aumento na potência apenas gera estresse no chassi, nos braços do piloto, nos freios e nos pneus. Ele observou que, atualmente, os pilotos precisam gerenciar tudo isso apenas para chegar à linha de chegada com os pneus intactos. “O que queremos ver é um piloto dando tudo de si – não alguém pilotando em função de uma meta. Os fãs querem ver um piloto fazendo coisas que nem todos conseguem fazer”, acrescentou.

Impacto da Redução da Capacidade do Motor

Agostini mencionou que a redução da capacidade do motor provavelmente não fará diferença para os espectadores, mas pode ter um impacto positivo na dinâmica das corridas. “850 ou 1000cc? Para o público, não faz diferença – ninguém está assistindo à capacidade do motor”, disse ele. “Mas com 850cc, você reduz a potência, e isso é exatamente o que queremos.”

Ele acredita que essa mudança permitirá que os pilotos possam acelerar ao máximo desde o início, sem se preocupar com a gestão dos pneus. “Até mesmo os freios se beneficiarão. Eu estava conversando sobre isso com a Brembo, e eles também estão no limite atualmente”, finalizou.

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