Comentários de George Russell sobre a Pole Position na Temporada de F1 de 2025
Após o Grande Prêmio dos Estados Unidos, realizado em outubro, George Russell fez uma observação sobre a importância da pole position na temporada de Fórmula 1 de 2025, ou, pelo menos, sobre a correlação entre as classificações e as finalizações das corridas nesta temporada. "Atualmente, na F1, é uma corrida até a curva 1", ele ressaltou, e, após ter ficado preso no início da corrida em Austin, a recuperação foi pouco provável.
Importância da Classificação
Embora a classificação deva oferecer algum nível de recompensa aos pilotos que conseguem realizar suas voltas em um sábado, parece que, nesta temporada, essa importância foi ainda maior. De fato, os números apoiam essa teoria: 14 dos 20 grandes prêmios realizados em 2025 até agora foram vencidos pelo piloto que saiu da pole position, o que representa uma taxa de conversão de 70%, a mais alta da última década. Em comparação, a temporada de 2023, caracterizada pelo domínio de uma única equipe e um único piloto, não alcançou uma taxa semelhante.
A menor taxa de conversão em nossa amostra foi observada em 2019, com apenas 38%, mostrando uma discrepância clara entre a superioridade de uma volta única da Ferrari e seu ritmo de corrida. Charles Leclerc, por exemplo, conseguiu converter duas de suas pole positions, mas outras quatro não resultaram em vitórias, talvez simbolizando sua taxa de conversão surpreendentemente baixa ao longo de sua carreira na F1. Se alguém estiver se sentindo pouco generoso, poderia argumentar que a comparativa falta de poles de Leclerc nesta temporada (sendo sua única em Hungaroring, onde ele não venceu) ajudou bastante na taxa de conversão.
Comparação com Outros Pilotos
Da mesma forma, Sebastian Vettel não converteu nenhuma de suas pole positions em 2019, enquanto Valtteri Bottas conseguiu converter duas de suas cinco, e Lewis Hamilton, três de suas cinco. A Mercedes, geralmente, tinha um carro que enfrentava dificuldades para aquecer os pneus de forma consistente para uma volta, mas conseguia superar as Ferraris na degradação ao longo de um grande prêmio. O único piloto a vencer a corrida saindo da pole e que não era da Mercedes ou Ferrari foi Max Verstappen, da Red Bull, que transformou uma de suas duas pole positions em vitória.
Desempenho nas Corridas de 2025
Nos quatro primeiros eventos da temporada de 2025, cada corrida (excluindo as sprints) foi vencida pelo piloto que largou da pole. As duas corridas subsequentes, com Verstappen largando em primeiro lugar nas rodadas cinco e seis em Jeddah e Miami, foram vencidas por Oscar Piastri, com a situação se invertendo em Imola, quando Verstappen superou Piastri na curva 1. É evidente que a afirmação de Russell se mostrou válida naquela corrida específica.
Das outras três corridas que não foram vencidas a partir da pole (novamente, convenientemente agrupadas), Verstappen não venceu em Silverstone, Lando Norris perdeu a liderança para Piastri na primeira volta na Bélgica, e a pole surpresa de Leclerc na Hungria não durou, já que o ritmo da Ferrari diminuiu ao longo da corrida. As últimas seis corridas foram todas vencidas pelo piloto que largou da pole.
Dificuldades para Ultrapassagens em 2025
Tem sido mais difícil realizar ultrapassagens em 2025, e esse é um dos obstáculos de um grid tão compactado. Se todos os carros estão correndo em um nível de desempenho semelhante, torna-se bastante desafiador se aproximar do carro à frente, quanto mais ultrapassá-lo. Mesmo que outro piloto consiga se aproximar, o efeito do ar sujo dos carros atuais aumentou em comparação com a frota original de 2022.
Os carros também estão em um estágio em que produzem menos efeito de vácuo em linha reta, uma vez que são mais eficientes, mas, da mesma forma, o efeito do desenvolvimento aerodinâmico nesta geração atual significa que eles tendem a produzir mais ar sujo nas curvas. Assim, a ação na pista se encontra em uma situação complicada. Com asas traseiras menores nos circuitos mais rápidos em comparação com anos anteriores, isso também torna o DRS amplamente ineficaz.
A Classificação Decidirá o Título da F1 de 2025?
Sozinha, a classificação não decidirá o título; como Russell apontou, ainda se trata de como um piloto lida com a mistura de carros ao redor deles na primeira curva. Entretanto, a pole position, em parte, isola um piloto da maior parte dessa confusão, e uma boa largada tende a proporcionar uma vantagem significativa.
Essa situação também é parcialmente condicionada. Considere uma corrida com baixa degradação; o piloto que sai da pole tem mais chances de manter sua posição ao longo dos marcos da corrida, seja ele Verstappen ou um dos dois pilotos da McLaren. Em uma corrida com maior degradação (ou uma com gerenciamento térmico) e Verstappen começando na frente, a McLaren tem uma oportunidade maior de conquistar a liderança.
Tomando Austin como exemplo; se Leclerc não tivesse feito uma defesa tão impressionante contra Norris, Verstappen poderia ter recebido um desafio maior, já que o ritmo da McLaren era marginalmente mais forte do que o da Red Bull. A corrida não foi particularmente exigente em termos de degradação, mas as cargas nos pneus os colocaram em uma posição delicada, com problemas como superaquecimento.
Os Circuitos Finais da Temporada
Os circuitos restantes do calendário, incluindo Brasil, Las Vegas, Catar e Abu Dhabi, não favorecem unicamente o piloto que larga da pole, embora a corrida final possa ser mais propensa a uma vitória do pole-sitter. Entre os outros, São Paulo pode ser afetada por condições climáticas adversas, Las Vegas estará sujeita ao graining em temperaturas frias (o que provavelmente prejudicará mais a McLaren do que a Red Bull), e o Catar será desafiador para os pneus.
A classificação servirá como um ponto de partida importante para o campeonato, e será ainda mais crucial acertar isso este ano, mas três das quatro últimas corridas terão variáveis adicionais a serem gerenciadas.
Sair da pole facilitará a vida de um piloto, mas a classificação não será o único fator determinante para quem vencerá o campeonato deste ano.
Relato adicional de Ronald Vording