A Participação da Otro Capital na Equipe de Fórmula 1 da Alpine
A participação de 24% que a Otro Capital detém na equipe de Fórmula 1 da Alpine continua sendo bastante cobiçada no paddock. Já foi noticiado que o ex-chefe da equipe Red Bull, Christian Horner, demonstrou interesse na aquisição, algo que o consultor executivo da Alpine, Flavio Briatore, também não fez questão de esconder. Durante o lançamento da equipe em janeiro, Briatore confirmou publicamente o interesse de Horner.
Novos Interesses no Cenário
Porém, em torno da abertura da temporada em Melbourne, surgiu um novo concorrente. Conforme relatado inicialmente pelo Telegraph, o chefe da equipe Mercedes, Toto Wolff, parece ter entrado na disputa. Briatore havia enfatizado anteriormente que existiam várias partes interessadas além do consórcio ligado a Horner, mas não mencionou nomes específicos – portanto, não se referiu explicitamente à Mercedes.
Quando contatada pela Motorsport.com, a Alpine não quis comentar sobre nomes específicos, mas confirmou mais uma vez que há várias partes interessadas e que o processo ainda está em andamento. “A equipe é regularmente abordada e contatada por múltiplas partes e potenciais investidores,” disse um porta-voz da equipe.
“Nós não comentamos sobre nomes ou indivíduos específicos. Qualquer discussão não é uma questão da equipe, mas sim entre os acionistas atuais e as partes que expressam interesse. O foco principal da equipe é a tarefa imediata, que é o início da temporada de corridas e a busca por uma recuperação sustentada de desempenho na pista,” acrescentou o porta-voz.
Confirmação da Mercedes
A Mercedes não negou o interesse de Wolff nas ações da Alpine e, em vez disso, confirmou que sempre está atenta a oportunidades estratégicas: “A Mercedes é um parceiro estratégico fundamental da Alpine e estamos sendo mantidos informados sobre os últimos desenvolvimentos.”
Motivos para o Interesse na Participação da Alpine
Embora a história tenha sido rapidamente associada na opinião pública a mais um capítulo da rivalidade entre Horner e Wolff, a realidade é que vai além disso e trata-se principalmente de interesses estratégicos.
Interesse de Horner
Para Horner, a participação da Otro pode oferecer uma maneira adequada de retornar à Fórmula 1. O britânico já conquistou tudo como chefe de equipe e CEO da Red Bull Racing e já deixou claro em várias ocasiões que consideraria retornar ao auge do automobilismo apenas em um “papel mais sênior” – com a aquisição de ações sendo parte dessa ambição.
Perspectiva da Mercedes
Do ponto de vista da Mercedes, o interesse também vai muito além da simples disputa entre Horner e Wolff. Primeiramente, a Alpine é uma equipe cliente da Mercedes High Performance Powertrains neste ano, com um contrato que se estende até o final de 2030, tornando o relacionamento mais próximo do que antes. Após desmantelar seu próprio projeto de unidade de potência na Fórmula 1 em Viry, a equipe francesa agora utiliza tanto unidades de potência quanto transmissões da Mercedes.
O que acontece com as ações dessa equipe cliente é, portanto, um desenvolvimento interessante para a Mercedes – pois isso diz respeito diretamente a quem irá trabalhar. Decisões estratégicas como essas vão além das instalações da Fórmula 1 em Brackley e Brixworth, e se relacionam com a direção estratégica mais ampla do grupo Mercedes como um todo.
Elementos Comerciais e Esportivos
Além do apelo comercial da Fórmula 1 e, portanto, de qualquer pacote de ações disponível – com o efeito das novas regulamentações ainda sendo uma grande incógnita – há também um elemento esportivo nessa história.
No ano passado, o CEO da McLaren, Zak Brown, expressou preocupações sobre certas estruturas de propriedade na Fórmula 1. Embora seus comentários tenham se referido especificamente à Red Bull e sua propriedade da equipe irmã Racing Bulls, a aquisição de ações na Alpine também envolveria uma forma de propriedade parcial. Isso poderia fortalecer ainda mais a sinergia entre ambas as partes, motivo pelo qual outras equipes da Fórmula 1 também estão monitorando os desenvolvimentos de perto.
Uma diferença crucial, no entanto, é que o Grupo Renault – independentemente de quem venha a adquirir as ações da Otro Capital – ainda manteria uma participação controladora confortável na equipe de Fórmula 1, com 76% das ações.