Governo Argentino Busca Retorno da Fórmula 1
O governo da Argentina está pressionando para a realização de uma corrida de Fórmula 1 no país. No entanto, qualquer discussão sobre um possível retorno à Buenos Aires é considerada prematura, na melhor das hipóteses.
Compromisso do Presidente
O presidente argentino, Javier Milei, se comprometeu a trabalhar para trazer de volta a Fórmula 1 ao país após um hiato de quase 30 anos, aproveitando a popularidade do piloto da Alpine, Franco Colapinto. A última vez que a Argentina sediou uma corrida de F1 foi em 1998, no Autódromo Oscar e Juan Galvez, que atualmente está passando por reformas para receber a MotoGP no próximo ano.
Renovação do Autódromo
Em janeiro deste ano, foram iniciados os trabalhos para a construção de um novo prédio de boxes e a remodelação do circuito, com uma extensão adicional projetada visando um possível retorno da F1, aumentando a extensão do circuito de 4,3 km para 4,87 km. O projeto, que está 60% concluído, representa um investimento de 150 milhões de dólares e é o maior na história do autódromo. Quando finalizado, o circuito deve ter capacidade para acomodar mais de 150.000 fãs.
Declarações de Autoridades
"Temos a tradição, temos os pilotos e estamos agora recuperando a credibilidade institucional que essas categorias exigem antes que um país seja escolhido", disse Milei. "Temos absolutamente tudo. É hora de acelerar nessa direção. Vamos seguir em frente juntos a toda velocidade para tornar esse sonho uma realidade. Queremos ver Colapinto de volta ao país."
O chefe do governo, Jorge Macri, acrescentou: "Estamos fazendo o maior investimento da história do Autódromo da Cidade. Sonhamos com o retorno da Fórmula 1, e por isso estamos transformando completamente a pista e as instalações para que elas atendam a todos os requisitos e se tornem um ícone de Buenos Aires no cenário mundial."
Apoio da FIA
Os oficiais argentinos receberam apoio do presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, que visitou o país como parte do Congresso Americano da FIA, onde se reuniu com Milei para discutir vários tópicos, incluindo um possível retorno da F1.
"Com a Fórmula 1, hoje eu vi o circuito", afirmou Ben Sulayem aos repórteres. "Muitos investimentos estão sendo realizados. Eu sei que haverá MotoGP no próximo ano. E o projeto é de Tilke, que é um dos designers mais renomados. Isso envia uma mensagem para nós, da FIA, e, claro, para a FOM, ao senhor Domenicali, de que vocês estão sérios no que estão fazendo."
Viabilidade do Retorno
Ben Sulayem também comentou: "A Argentina pode organizar a F1? Sim. Eles merecem? Eu diria que sim. Mas temos 24 grandes prêmios no calendário. Podemos ir para 25, mas isso é extremamente difícil. Isso dependerá dos oficiais e dos pilotos. Para nós, é uma questão de calendário e de um plano de negócios para, no mínimo, cinco anos. E as pessoas aqui, o governo, estão levando isso a sério. E também é minha responsabilidade, porque quando eu dou minha palavra, eu cumpro. Vou garantir que a mensagem certa seja enviada antes que as reuniões comecem. Tenham certeza de que têm meu apoio."
Influência da FIA no Calendário
É importante ressaltar que a FIA não tem influência direta sobre o calendário da F1, que permanece sob a responsabilidade do detentor dos direitos comerciais, a FOM.
Missão de Avaliação em Buenos Aires
Buenos Aires iniciou uma missão de avaliação no final de 2024, com uma delegação do governo se reunindo com os chefes da F1 durante o Grande Prêmio do Brasil de 2024. Entende-se que as negociações não avançaram significativamente desde então, com a gestão da F1 tendo várias opções mais concretas em andamento, enquanto busca expandir-se na Ásia Oriental e na África.
Condições para uma Nova Corrida
Para que qualquer corrida de F1 em potencial possa competir com os locais existentes em um calendário lotado de 24 corridas, a F1 deseja ver um plano de negócios de longo prazo com investimentos sustentados, em vez de um mero interesse momentâneo em um piloto local.
Retorno da MotoGP e Desafios Econômicos
O retorno da MotoGP à Argentina em 2027 pode servir como um caso de teste útil para provar a validade do país como um local anfitrião. No entanto, qualquer potencial ascensão ao calendário da F1, em um país que enfrenta sérias dificuldades econômicas, continua sendo uma proposta de longo prazo, na melhor das hipóteses.