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“Macarena” da Ferrari atraiu olhares no Bahrein; saiba mais sobre o dispositivo.

por Lucas Andrade
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"Macarena" da Ferrari atraiu olhares no Bahrein; saiba mais sobre o dispositivo.

Ferrari se Destaca no Paddock

A Ferrari saiu do segundo teste da pré-temporada realizado no Bahrein como a equipe mais comentada do paddock, e não foi por conta de seus tempos de volta. O que chamou a atenção foram duas soluções inovadoras na parte traseira do carro, que levaram engenheiros de outras equipes a se aproximarem para observar mais de perto.

Nada disso deve ser considerado “mágico”. Trata-se de uma aplicação inteligente das regras que regem a competição.

O “truque” atrás do escapamento

A primeira inovação apresentada pela Ferrari foi uma peça posicionada logo atrás do escapamento, na base da asa traseira do carro. A equipe se refere a essa peça como “flow turning device”, que pode ser traduzido como um direcionador de fluxo.



Em termos simples, essa peça auxilia no controle do ar que flui pela parte inferior do carro. Para compreender sua importância, é necessário lembrar que uma grande parte da pressão aerodinâmica de um carro de Fórmula 1 é gerada pelo assoalho e pelo difusor, que é a seção final do fundo do carro. Essa parte acelera o ar e "puxa" o carro para o chão.

A Ferrari descobriu uma forma de, na prática, fazer com que esse difusor funcione como se fosse levemente maior do que realmente aparenta. Isso foi possível porque a equipe posicionou componentes internos, como o diferencial e os semi-eixos, mais para trás e com uma inclinação diferente em comparação com as equipes rivais. Essa mudança abriu um pequeno espaço extra que possibilitou a modelagem da carroceria na área posterior ao difusor.

Esse detalhe gera um efeito significativo: o ar é expelido mais rapidamente da parte inferior do carro. Quanto mais veloz o ar é expelido, maior é a pressão para baixo, o que se traduz em uma maior aderência do carro à pista.

A nova peça localizada atrás do escapamento contribui para "organizar" esse fluxo de ar e também pode direcionar parte do ar quente para a parte inferior da asa traseira, aumentando o efeito aerodinâmico nessa região.

Não é a primeira vez que a Fórmula 1 utiliza uma abordagem semelhante. Durante os anos de 2010, era comum o uso de escapamentos que sopravam sobre as asas. Contudo, as regras mudaram e, agora, a Ferrari encontrou uma brecha nas novas regulamentações que entrarão em vigor em 2026.

O aspecto mais interessante dessa solução é que ela depende da arquitetura interna do carro. Não é algo que outra equipe possa simplesmente replicar ao adicionar uma nova peça, uma vez que envolve a transmissão e o layout mecânico do veículo.

Macarena: A asa que vira de cabeça para baixo

No segundo dia de testes, a Ferrari chamou ainda mais atenção com outra solução inovadora: um flap traseiro que não apenas achata quando o carro está em reta, mas que, surpreendentemente, vira de cabeça para baixo.

Fred Vasseur, ao falar com a Sky Sports, se referiu ao novo dispositivo como Macarena — uma alusão à famosa música dos anos 90, que se tornou um grande sucesso com o grupo Los Del Rio. O nome foi escolhido devido à coreografia da canção, que inclui "braços levantados para cima".

Normalmente, quando o carro entra em modo de baixa resistência — como ocorria com o antigo DRS — a asa simplesmente se torna mais plana para reduzir o arrasto. No entanto, a Ferrari foi além dessa abordagem convencional.

Ao inverter o elemento móvel da asa, o espaço pelo qual o ar passa aumenta ainda mais, resultando em uma redução significativa do arrasto nas retas. Na prática, se essa solução funcionar como esperado, isso poderá traduzir-se em uma maior velocidade final do carro.

Embora essa solução pareça mais fácil de ser copiada em comparação com a do difusor estendido, ainda assim demonstra um alto nível de criatividade no projeto da Ferrari.

O que isso diz sobre 2026?

O regulamento que entrará em vigor em 2026 representa o maior reset técnico da era moderna da Fórmula 1. Em um novo regulamento, a equipe que melhor interpretar os limites das regras terá uma vantagem competitiva.

A Ferrari parece ter investido fortemente em uma integração entre as partes mecânicas e aerodinâmicas do carro. Não se trata apenas de uma asa diferente, mas sim de uma traseira projetada como um conjunto coeso.

Agora, a parte decisiva será a confiabilidade e a consistência das inovações apresentadas. Se essas soluções se mostrarem eficientes e resistentes ao longo das corridas, a Ferrari poderá ter encontrado uma vantagem difícil de ser neutralizada por suas concorrentes. Por outro lado, se surgirem problemas estruturais, essas inovações poderão ser lembradas apenas como curiosidades de um teste.

Contudo, uma coisa é certa: enquanto muitas equipes ainda estão tentando compreender o novo regulamento, a Ferrari já está se dedicando a explorá-lo ao máximo.

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