Coletiva de Imprensa em Singapura
Em uma coletiva de imprensa realizada na Marina Bay, James Vowles (Williams), Steve Nielsen (Alpine) e Andy Cowell (Aston Martin) discutiram as preparações para 2026, destacando as mudanças técnicas que estão por vir, além de refletirem sobre a cultura das equipes, o desempenho dos pilotos e os rumores envolvendo Christian Horner. O evento ocorreu após os primeiros treinos livres do Grande Prêmio de Singapura de Fórmula 1, realizado na sexta-feira, 3 de setembro.
Aston Martin e a Leitura de Cowell
Andy Cowell comentou sobre a performance da Aston Martin nas ruas de Singapura, que, segundo ele, foi mais satisfatória em comparação com as etapas anteriores. Ele observou: “Acho que as características deste circuito combinam um pouco mais com o nosso carro. Sofremos nas pistas de alta velocidade — Baku, por exemplo. Aqui, acho que é um pouco como Baku, mas sem o setor 3.”
Ainda que a equipe tenha iniciado bem, com Fernando Alonso liderando o primeiro treino livre, Cowell foi cauteloso: “Você nunca deve apostar nos resultados do TL1. Não há pontos na sexta-feira.” Ao falar sobre as metas da Aston Martin, ele enfatizou: “Queremos ir a cada corrida e configurar o carro da melhor forma possível com o hardware que temos. Adoraríamos terminar à frente do James e da Williams, mas parabéns a eles pelo pódio na última corrida. Isso torna nosso sonho de terminar em quinto mais difícil, mas é nisso que ainda lutamos.”
Cowell também se referiu aos comentários de Alonso, que mencionou a possibilidade de se aposentar em alta em 2026. Ele afirmou: “Acho que está ligado a isso — todos queremos terminar em alta. Ele gostaria de encerrar a carreira vencendo corridas. Ele é parte enorme do time, essencial para o desenvolvimento do carro de 2026 no simulador e na configuração.”
Em relação aos rumores sobre Christian Horner, Cowell foi direto: “Parece que o Christian está ligando para praticamente todos os donos de equipe no momento. Posso dizer claramente que não há planos de envolvimento dele nem em função operacional, nem em papel de investimento no futuro.”
Nielsen Fala da Alpine, Colapinto e Sprints
Steve Nielsen, que voltou à Enstone após oito anos, descreveu seu retorno à equipe como “como voltar a uma escola antiga. Coisas familiares. Foi ótimo voltar. Agora estou do outro lado do teto orçamentário, que ajudei a discutir e implementar quando estava na F1, e é uma experiência totalmente nova.”
Sobre o “espírito Enstone”, ele foi claro: “Está vivo, sem dúvida. É um grande lugar, com talentos de ponta. O que colocamos na pista não reflete ainda essas habilidades. É nosso trabalho mudar isso.”
Nielsen ainda avaliou o desempenho de Franco Colapinto, destacando que ele teve um início difícil, mas conseguiu igualar Pierre Gasly nas últimas corridas e já o superou em algumas classificações. “É bom ver, mas vamos esperar antes de decidir sobre 2026”, acrescentou.
Quando o assunto foram as corridas sprint, Nielsen surpreendeu ao manifestar seu apoio à expansão desse formato: “Acho que as corridas sprint foram uma coisa boa. Antes eu não era entusiasta, mas agora diria que gostaria de ver mais. Três treinos livres parecem longos demais. Mais ação para os fãs é positivo.”
Vowles Celebra Pódio e Projeta Futuro
James Vowles compartilhou sua emoção em relação ao pódio da Williams em Baku, conquistado por Carlos Sainz. “Foi um prêmio enorme. Não apenas para mecânicos e pilotos, mas para todos na fábrica. Colocar o troféu na recepção e ver 50 pessoas lá, emocionadas, chorando, rindo, foi algo que significou o mundo para eles. Deu à equipe uma crença verdadeira. Não são mais só as minhas palavras, eles podem ver e viver isso.”
Em relação a Sainz, Vowles destacou: “Foi um momento muito bom para ele mostrar por que confiamos nele. Tenho certeza de que isso vai fazê-lo crescer daqui para frente. Este é um jogo mental, e momentos positivos criam uma espiral de confiança.”
Vowles também apresentou uma proposta ousada sobre o calendário: “Não me preocupo com Singapura como sprint. Os números sobem nos finais de semana com sprint, é um sucesso. Mas eu debateria se não deveríamos ir para um formato de dois dias — sábado e domingo — reduzindo treinos e dando mais espetáculo. Devolveríamos dias às equipes, e até permitiria mais GPs no calendário.”
Sobre Horner, ele foi breve: “Não houve abordagem. Mas sempre é bom ouvir. Não há razão para mudar nossa estrutura, que está funcionando.”
O Desafio de 2026
Os três chefes de equipe concordaram em ressaltar a magnitude das mudanças que ocorrerão em 2026. Cowell resumiu a situação: “É todo o carro — unidade de potência, combustíveis sustentáveis, aerodinâmica, materiais, transmissão. É empolgante e um enorme desafio.”
Nielsen enfatizou que o período de inverno é praticamente inexistente até a estreia: “Já estamos produzindo o carro de 2026 agora.” Vowles classificou a situação como “provavelmente a maior mudança de regras que já enfrentamos, mudando motor e chassi ao mesmo tempo.”
Os dirigentes concordaram que haverá impacto na distribuição de forças, embora não da mesma forma que ocorreu em 2014. Vowles acrescentou: “Não acho que será nível 2014. Será muito mais próximo. Já estamos dialogando sobre cenários de desequilíbrio para garantir que o espetáculo esteja protegido.”
Ainda sobre o Manual Override Mode (MOM), recurso que substituirá o DRS, o dirigente destacou que isso “vai abrir portas para novos pontos de ultrapassagem. Não será onde você imagina. Spa, por exemplo, pode oferecer novas zonas, mas Mônaco, não. Será uma dinâmica diferente.”
Sprint em Singapura Divide Opiniões
Referente à escolha de Singapura como uma corrida sprint em 2026, Nielsen se disse satisfeito: “Sou a favor. Gostaria até de mais corridas assim.” Cowell concordou, afirmando que “os fãs amam finais de semana de sprint, e trabalhamos para eles.” Vowles, no entanto, propôs uma ampliação do debate: “Prefiro pensar em dois dias de corrida em alguns eventos. Variabilidade é positiva. Três treinos livres já parecem muito hoje.”
No final, a Aston Martin demonstrou confiança em sua capacidade de adaptação a diferentes circuitos e na experiência de Alonso para guiar a equipe em 2026. A Alpine está focada na reconstrução cultural e no crescimento de Colapinto. A Williams vive um momento transformador, utilizando o recente pódio como motivação para avançar. Todas as equipes convergem em um ponto comum: 2026 será uma revolução que exigirá engenhosidade, coragem e a capacidade de adaptação, tanto em termos técnicos quanto humanos.