Ação Judicial de Joe Gibbs Racing
Joe Gibbs Racing (JGR) apresentou uma ação judicial contra o ex-diretor de competições Chris Gabehart na quinta-feira, no Distrito Ocidental da Carolina do Norte. O processo busca compensação por danos significativos, além de proibir Gabehart de violar suas obrigações contratuais e de usar indevidamente informações confidenciais e segredos comerciais da JGR.
Acusações de Uso Indevido de Informações
De acordo com a ação, Gabehart utilizou informações confidenciais e segredos comerciais que ele supostamente roubou da JGR, especificamente relacionadas à compensação dos funcionários, para recrutar empregados da equipe para trabalhar na Spire Motorsports, uma concorrente direta na NASCAR.
Base Legal da Ação
A ação judicial foi apresentada sob a Lei de Defesa de Segredos Comerciais, que estabelece um direito de ação privado para proprietários de segredos comerciais que foram apropriados de forma indevida, desde que esses segredos estejam relacionados a produtos ou serviços utilizados no comércio interestadual ou estrangeiro. O processo alega que Gabehart causou danos superiores a 8 milhões de dólares, mas a compensação final será determinada por um júri, caso o caso vá a julgamento.
Detalhes do Caso
O documento de 30 páginas detalha uma linha do tempo em que Gabehart recebeu uma proposta da Spire Motorsports para se tornar o Diretor de Competição, enquanto supostamente participava de um esquema para utilizar informações privilegiadas da JGR em sua nova função.
Entre as evidências apresentadas, está a alegação de que Gabehart sincronizou seu Google Drive pessoal com seu laptop da equipe, que continha uma pasta nomeada "Spire" e fotos de informações confidenciais da equipe, como salários, análises de desempenho de pilotos, chefes de equipe e equipes de pit stop.
Acesso Indevido a Informações Sensíveis
O processo alega que Gabehart acessou esses arquivos enquanto ainda negociava um acordo de separação e no dia em que se reuniu com Jeff Dickerson, co-proprietário da Spire. Em 15 de dezembro, a JGR afirmou que interrompeu as negociações sobre um pacote de separação e emitiu uma ordem de cessar e desistir. A equipe também iniciou uma análise forense dos dispositivos eletrônicos de Gabehart, que eventualmente serviram de base para a ação judicial.
Salário e Violação Contratual
Na última temporada, Gabehart recebeu um salário base de 1 milhão de dólares em seu primeiro ano como diretor de competições, após mais de uma década com a equipe como engenheiro e chefe de equipe. O contrato de Gabehart, que foi anexado ao processo, afirma que ele violou o acordo de emprego, particularmente a Seção 5, que proíbe a divulgação de informações confidenciais a terceiros.
Insatisfação e Pedido de Promoção
Joe Gibbs Racing alegou que Gabehart expressou insatisfação com seu papel ao longo da temporada de 2025 e desejava efetivamente uma promoção. Durante uma reunião com o proprietário da JGR, Joe Gibbs, em 6 de novembro de 2025, Gabehart solicitou autoridade adicional que lhe concederia controle total sobre todas as decisões de corrida. Gibbs recusou o pedido e perguntou se Gabehart preferia permanecer como diretor de competições ou deixar a equipe. Gabehart indicou que preferia deixar a JGR, levando a equipe a preparar um pacote de separação.
Proposta de Separação e Negociações
A primeira proposta de separação foi feita em 10 de novembro, permitindo que Gabehart trabalhasse para outra equipe da NASCAR, desde que não solicitasse funcionários ou contratados-chave da JGR e cooperasse na devolução de equipamentos e informações da equipe. Durante as negociações, o advogado de Gabehart fez várias edições no rascunho do acordo, que pareciam ser calculadas para permitir que ele recrutasse imediatamente funcionários da JGR.
Revelações de Informações Confidenciais
A JGR tornou-se cética quando soube que Gabehart estava se encontrando pessoalmente com Dickerson. Em 17 de dezembro, Gabehart concordou em devolver qualquer informação da equipe, mas se opôs a uma revisão forense. Ele afirmou que a pasta "Spire" em seu Google Drive era usada para armazenar notas e registros pessoais, o que foi considerado falso, pois fotos tiradas por ele continham informações financeiras sensíveis.
Continuação das Negociações e Conclusões
Gabehart e Gibbs continuaram a negociar, com Gabehart afirmando que a oferta da Spire não envolvia serviços semelhantes aos que ele prestava à JGR. As partes eventualmente concordaram com um protocolo forense, no qual um especialista de terceiros identificaria e excluiria informações da JGR dos dispositivos de Gabehart.
Os dispositivos foram entregues em 12 de janeiro, e os arquivos foram enviados ao advogado da JGR em 27 de janeiro. Em 4 de fevereiro, as informações foram deletadas dos dispositivos de Gabehart. Em 11 de fevereiro, a JGR descobriu que Gabehart seria responsável por toda a estratégia e operações de corrida da Spire.
Acesso Indevido e Informações Sensíveis
A JGR concluiu que Gabehart se opôs à primeira análise forense porque isso demonstraria que ele havia divulgado informações confidenciais e segredos comerciais da JGR a terceiros, incluindo a Spire. O processo estabelece uma linha do tempo em que Gabehart se reuniu com Gibbs em 6 de novembro e indicou que preferia deixar a JGR. No dia seguinte, às 14h45, Gabehart acessou seu laptop da empresa e capturou pelo menos vinte fotos da tela do laptop, incluindo informações confidenciais da equipe.
As fotos, que foram salvas em seu telefone pessoal e na conta pessoal do Google Photos, incluíam detalhes abrangentes sobre auditorias de desempenho da equipe e dos pilotos, informações sobre a folha de pagamento da equipe, um calculador de compensação de funcionários e receitas de patrocinadores.
Outros Acessos e Prazos
Houve também diversos outros acessos às informações da equipe que foram sincronizadas nas contas pessoais de Gabehart. Ele interagiu com a pasta "Spire" em várias datas, incluindo 12, 13, 15, 23, 25, 26, 27 de novembro e 2 de dezembro de 2025, coincidindo com o dia em que se encontrou com Dickerson.
O caso foi atribuído ao juiz Matthew E. Orso, que também está supervisionando o processo entre Kyle Busch e a Pacific Life. O próximo passo legal exigirá que Gabehart apresente uma resposta ao tribunal.