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KTM reduzirá sua força de trabalho em mais de 50%, impactando operações da MotoGP

por Bernardo Oliveira
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KTM reduzirá sua força de trabalho em mais de 50%, impactando operações da MotoGP

Redução de Pessoal na KTM

A Bajaj Auto anunciou que planeja reduzir sua força de trabalho em mais de 50% em diversas áreas da KTM, incluindo a divisão de esportes motorizados, à medida que se aproxima da conclusão da aquisição do fabricante austríaco.

Declarações de Rajiv Bajaj

O diretor administrativo da Bajaj, Rajiv Bajaj, declarou em uma entrevista que a intenção é cortar despesas pela metade em vários departamentos, uma medida que afetará diretamente as equipes de MotoGP da KTM e da Tech3.

“Isso é realmente uma oportunidade fácil de se aproveitar. Observamos uma chance de reduzir os custos operacionais em mais de 50%, incluindo pesquisa e desenvolvimento, marketing (incluindo corridas), operações e administração geral”, afirmou Bajaj em entrevista ao canal CNBC TV18.



Ele destacou que a gestão anterior já havia reduzido o número de funcionários de 6.000 para 4.000, o que ainda é considerado excessivo. “Curiosamente, desses 4.000, apenas cerca de 1.000 são trabalhadores operacionais; 3.000 são funcionários administrativos, o que é perplexo, pois os trabalhadores operacionais são os que fabricam as motocicletas. As mudanças futuras no volume afetarão relativamente pouco os trabalhadores operacionais; o problema estará na contagem de funcionários administrativos, que são mais caros”, explicou.

Bajaj fez uma analogia com as palavras de Mark Zuckerberg sobre gerentes que gerenciam gerentes que gerenciam gerentes que, por sua vez, gerenciam as pessoas que realmente fazem o trabalho. “A carga de gestão e a burocracia nesta organização, que é excelente de outra forma, eram surpreendentes”, completou.

Crítica à Gestão Anterior

Rajiv Bajaj foi contundente em suas críticas à antiga gestão da KTM, embora tenha evitado mencionar o ex-majoritário Stefan Pierer, a quem atribui grande parte da responsabilidade pela crise financeira da empresa.

“Fomos todos pegos de surpresa, a maior parte da indústria estava bastante chocada com a rapidez com que isso se desenvolveu”, disse ele. “Minha mente volta há quase 30 anos ao que meu primeiro guru de gestão, Dr. John Wallace, me ensinou: a maior razão para a falência corporativa é a ganância corporativa. Eu realmente testemunhei isso acontecendo na KTM nos últimos 12 meses, em particular.”

Ele categoriza a ganância em três tipos:

  1. Ganância operacional: exemplificada pelo que aconteceu nos últimos anos, quando a KTM Áustria continuou produzindo e até superproduzindo, mesmo após a queda da demanda que se seguiu ao pico pós-COVID. Como consequência, distribuidores e concessionárias da KTM em todo o mundo estavam com um estoque que excedia um ano, o que era absurdo.

  2. Ganância estratégica: refere-se ao fato de empresas muitas vezes se envolverem em negócios que não deveriam. No caso da KTM Áustria, o melhor exemplo foi a entrada no setor de bicicletas, especificamente no mercado de bicicletas elétricas.

Esses dois fatores juntos levaram a KTM à insolvência em questão de meses. “Agora, você pode dizer que a Bajaj fez parte disso, e eu admitiria que sim, também fomos parte do que deu errado, mas como sócios minoritários, não conseguimos evitar isso”, comentou.

Bajaj também compartilhou que a Bajaj se esforçou para resistir a essas decisões, o que eventualmente culminou no que chamou de “ganância de governança”, onde decisões foram tomadas sem seu conhecimento ou, às vezes, sem seguir os devidos processos.

Confiança na Nova Gestão

Bajaj expressou confiança na nova gestão da KTM, que está traçando um novo caminho como uma organização mais enxuta e eficiente. “Este é um problema que não foi causado por 99% dos funcionários da KTM. Este é um problema da antiga alta administração da KTM, e a maioria deles já se foi”, afirmou.

Ele acrescentou que a nova equipe já está em vigor, com exceção de uma vaga que será preenchida nos próximos meses. “É uma combinação de alguns de nossos colegas mais antigos, que ainda são muito apaixonados e comprometidos com a KTM, especialmente em áreas como planejamento de produtos, P&D e jurídico, e alguns novos colegas excepcionais, liderados pelo nosso novo CFO e novo CHRO”, detalhou.

Apesar de a Bajaj já ter injetado várias rodadas de capital para manter a KTM funcionando e agora controlar efetivamente o fabricante austríaco, o conglomerado indiano ainda aguarda a aprovação da Comissão Europeia para formalizar a aquisição.

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