Mudanças na Proposta de Limitação de Motocicletas na MotoGP
Uma falta de unanimidade entre os fabricantes de MotoGP alterou significativamente a perspectiva de uma proposta liderada pela Aprilia, que visa limitar os pilotos a uma única moto durante as sessões de prática na sexta e no sábado.
Contexto da Proposta
Até algumas corridas atrás, a maioria dos fabricantes acreditava que, a partir da próxima temporada, as equipes removeriam uma das duas motos da frente do box durante os treinos, retornando ao habitual esquema de duas motos tanto para a corrida sprint quanto para o Grande Prêmio de domingo. No entanto, informações obtidas pela Motorsport indicam que divisões dentro da Motorcycle Sports Manufacturers Association (MSMA) forçaram uma reavaliação de uma proposta que já estava quase aprovada. Atualmente, a iniciativa chegou a um impasse e parece altamente improvável que seja introduzida.
Motivações e Oposição
A proposta, inicialmente apresentada pela Aprilia e apoiada pela Ducati, era apresentada como uma medida para a redução de custos. Por outro lado, aqueles que se opõem à ideia acreditam que a verdadeira motivação por trás do impulso das duas fabricantes italianas é a confiança de que já possuem uma vantagem técnica com os novos protótipos de 2027. Teoricamente, limitar os pilotos a uma única moto durante os treinos reduziria o trabalho de desenvolvimento e dificultaria a aproximação dos rivais em relação ao que consideram ser uma lacuna de desempenho existente.
Posicionamento da KTM e Outros Fabricantes
O fator decisivo para a perda de força da proposta foi a firme oposição da KTM. Embora o fabricante austríaco, em um determinado momento, tenha aparentado estar amolecendo sua posição, acabou permanecendo categoricamente contra a ideia. As equipes independentes também se opuseram à mudança, não vendo benefícios tangíveis na proposta.
A Honda, por sua vez, evitou tomar uma posição firme durante todo o processo de discussão, afirmando consistentemente que apoiaria a decisão da maioria.
Reuniões e Acordos
A situação mudou drasticamente em pouco mais de um mês. Durante uma reunião da MSMA realizada na manhã do domingo do Grande Prêmio da Hungria no Balaton Park, os fabricantes acreditavam ter chegado a um acordo sobre o que inicialmente foi chamado de "regra do WorldSBK" – uma referência ao campeonato baseado em produção, onde os pilotos têm apenas uma moto disponível no box. Posteriormente, a proposta foi rebatizada como "limitação da segunda moto".
Embora os fabricantes tenham se cumprimentado em relação ao acordo, nada foi formalmente assinado com o peso legal suficiente para tornar o acordo vinculativo. Isso permitiu que a KTM revertesse sua posição, algo que comunicou aos outros membros da MSMA em Assen, rompendo a unanimidade necessária para levar a proposta à Comissão do Grande Prêmio.
Processo de Aprovação
A Comissão do Grande Prêmio, composta por representantes da FIM, da MSMA, da IRTA e do promotor MotoGP SEG, é responsável por aprovar alterações nos regulamentos do campeonato por meio de uma votação por maioria simples. No entanto, sem o apoio unânime dos fabricantes, a proposta foi efetivamente bloqueada antes de alcançar essa etapa.
"Embora a proposta de uma única moto não esteja morta, neste momento, parece muito mais difícil que seja introduzida", afirmou uma das figuras-chave envolvidas no processo à Motorsport durante o último final de semana do Grande Prêmio da Alemanha no Sachsenring, que foi a última rodada antes da pausa de verão da MotoGP.
Divisões Persistentes
As divisões entre os fabricantes não puderam ser resolvidas nesse encontro, em parte porque o gerente geral da Ducati, Gigi Dall’Igna, e o chefe da Yamaha, Paolo Pavesio, estavam ausentes. As discussões serão retomadas em três semanas em Silverstone, onde um veredicto definitivo sobre uma proposta que tem mantido todo o paddock – incluindo os pilotos – em estado de expectativa é aguardado. Vários pilotos descreveram em privado a ideia de usar apenas uma moto nos treinos como pouco menos que uma loucura.