O Carro que Definiu a Carreira de Emerson Fittipaldi
A Opinião de um Campeão
A questão sobre qual carro definiu a carreira de um piloto costuma gerar respostas diplomáticas. No entanto, o bicampeão mundial de Fórmula 1 Emerson Fittipaldi não hesita em expressar sua opinião. Em entrevista ao podcast F1 Beyond The Grid, o piloto brasileiro afirmou de maneira clara e direta que o Lotus 72 foi a melhor máquina que já pilotou em sua carreira.
O Lotus 72
Fittipaldi declarou: "O Lotus 72, para mim, foi o melhor carro que eu já dirigi em minha carreira." Ele explicou que, ao longo do tempo que passou com Colin Chapman, ele e sua equipe desenvolveram o carro, realizando mudanças na geometria da suspensão, na aerodinâmica e nas asas do veículo. "Era sempre um carro incrível de dirigir. Eu chegava ao paddock, olhava para ele, e ele olhava para mim. Nós nos conectávamos; era uma extensão do meu corpo", completou.
O piloto recordou a genialidade de Chapman, ressaltando sua capacidade intuitiva de ajustar o carro. Fittipaldi lembra que Chapman costumava colocar dois dedos em sua mão quando discutiam sobre o carro, e isso muitas vezes resultava na solução certa. "Era incrível, porque naquela época não havia telemetria. Era apenas o que eu sentia, contando para o Colin, e ele conseguindo entender e melhorar o carro. Era um carro fantástico", afirmou.
Desenvolvimento e Relações
Na época, a coleta de dados era bastante limitada, sem simulações ou telemetria. O processo de desenvolvimento dependia bastante da comunicação entre o piloto e o engenheiro. "Depois do primeiro ano, nós tínhamos uma relação muito boa", disse Fittipaldi ao ser questionado se desenvolveu relações semelhantes na McLaren como a que tinha com Chapman. "Gordon Coppuck era o engenheiro-chefe. Ele era extremamente bom, muito dedicado e fez um carro fantástico. Quero dizer, o M23 era um carro incrível. Era um carro mais simples e mais convencional do que o Lotus."
Fittipaldi comparou a complexidade do Lotus com a abordagem mais convencional da McLaren, destacando que o Lotus utilizava barras de torção que eram difíceis de trabalhar no ângulo correto. "Estávamos sempre trabalhando, e a McLaren era um carro mais convencional, mas tínhamos três distâncias entre eixos. Tínhamos um entre-eixos longo, um entre-eixos médio e um entre-eixos curto para Mônaco e para os circuitos curtos", explicou.
Logística e Adaptação
O piloto também elogiou o trabalho realizado pela equipe da McLaren em termos de logística. "Mudamos a distribuição de peso, colocando uma porcentagem maior de peso na frente para os circuitos curtos. Tivemos muitos estudos pré-corrida de cada pista – mais do que a Lotus faria – para adaptar o M23 às diferentes pistas e características ao longo do ano. Isso foi feito por Alastair Caldwell e Gordon Coppuck", disse Fittipaldi.
O Início do Lotus 72
O Lotus 72 fez sua estreia nas corridas no Grande Prêmio da Espanha de 1970 e foi considerado uma peça incrível de engenharia. Inspirado pelo Lotus 56, o carro apresentava uma aerodinâmica superior e uma maior velocidade máxima, apesar de utilizar o mesmo motor Cosworth.
Tragédia e Sucessão
Jochen Rindt estava a caminho de vencer o campeonato de 1970 quando sofreu um acidente fatal durante a qualificação em Monza. Seu substituto, Emerson Fittipaldi, venceu o Grande Prêmio dos Estados Unidos, ajudando Rindt a se tornar o único campeão mundial póstumo da Fórmula 1.