Ajustes nos Regulamentos Técnicos da Fórmula 1 para 2027
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) já iniciou o processo de ajustes nos regulamentos técnicos da Fórmula 1 para a temporada de 2027. As mudanças que estão sendo implementadas podem parecer superficiais, mas têm potencial para provocar alterações significativas no desempenho dos carros. Apesar de apenas 11 etapas terem sido realizadas sob o novo regulamento atual, as equipes descobriram diversas maneiras de explorar brechas e conceitos permitidos para aumentar a carga aerodinâmica de seus veículos.
Intervenções da FIA
A rápida evolução dos projetos, que é impulsionada pelo maior entendimento das novas unidades de potência, motivou a FIA a intervir para limitar a quantidade de downforce e minimizar o arrasto durante as retas. As principais modificações previstas concentram-se no assoalho e na asa traseira dos carros.
Mudanças no Assoalho
Uma das alterações mais significativas será executada na área conhecida como tea tray ou bib, localizada na parte dianteira do assoalho. A borda de ataque deste componente será recuada em aproximadamente 300 milímetros. Essa modificação permitirá que os carros sejam conduzidos com uma altura dianteira reduzida, aumentando assim o rake e alterando de forma significativa o comportamento aerodinâmico da região.
Adrian Newey, projetista da Aston Martin, comentou sobre o impacto dessa mudança em uma entrevista divulgada pela própria equipe. Segundo ele, "do lado do chassi, as mudanças são menores, mas ainda significativas. A maior delas está no que normalmente é chamado de ‘bib’ ou ‘tea tray’, na parte dianteira do assoalho. A borda de ataque foi recuada cerca de 300 milímetros, o que permite rodar com a parte dianteira do carro mais baixa. Isso traz um conjunto diferente de características aerodinâmicas."
Na prática, embora a FIA esteja tentando reduzir o potencial de geração de carga dos carros, esta alteração abre uma nova avenida de desenvolvimento para as equipes. Os projetistas poderão explorar a nova geometria para recuperar parte da performance que poderá ser perdida. Newey acrescentou: "Para nós, a principal mudança é a alteração na parte dianteira do assoalho. Ela cria um desafio aerodinâmico diferente para todos."
Outra modificação diz respeito aos geradores de vórtices localizados na entrada do assoalho. O número de elementos permitidos será reduzido de cinco para três, eliminando os dois componentes mais externos. Esses pequenos elementos ganharam destaque durante a primeira metade de 2026, pois as equipes começaram a adotar soluções cada vez mais complexas para gerar vórtices e aumentar a região de baixa pressão sob o carro. A FIA decidiu restringir esse recurso para evitar que os times continuem obtendo ganhos significativos por meio dessas soluções de microaerodinâmica.
Alterações na Asa Traseira
A asa traseira também passará por mudanças importantes em 2027. O principal objetivo é reduzir tanto a carga aerodinâmica quanto o arrasto, aumentando a eficiência dos carros nas retas. De acordo com as novas medidas estabelecidas pela FIA, o limite inferior do volume de referência da asa, que corresponde à borda de ataque do perfil principal, aumentará de 725 para 745 milímetros, enquanto o limite superior permanecerá em 880 milímetros. Como resultado, a altura da asa traseira será reduzida, especialmente na área do perfil principal.
Essa alteração deverá diminuir a quantidade de downforce gerada pelo componente, além de reduzir a área exposta ao fluxo de ar nas retas. O resultado esperado é uma asa que seja mais eficiente e que apresente menor resistência aerodinâmica. Além disso, determinados apêndices aerodinâmicos serão proibidos a partir da próxima temporada. Essa restrição inclui elementos instalados na borda de fuga da asa traseira, como o componente utilizado recentemente pela Aston Martin no Grande Prêmio da Hungria.
Outros dispositivos que serão proibidos incluem aqueles posicionados no atuador do DRS, os quais foram explorados por equipes como Red Bull e Williams. Esses pequenos elementos foram utilizados, principalmente, em circuitos de alta carga, com o intuito de produzir um ganho adicional de downforce e organizar o fluxo de ar ao redor do atuador, ainda que isso implicasse em um custo maior em termos de arrasto e turbulência.
Eliminação do Sistema FTM
Outra solução que será eliminada em 2027 é o sistema conhecido como FTM, que foi apresentado pela Ferrari durante os testes no Bahrein e, posteriormente, adotado por outras equipes ao longo da temporada. Este dispositivo atua parcialmente sobre a saída dos gases de escapamento. Embora isso possa reduzir parte do desempenho da unidade de potência, o sistema direciona o ar quente para regiões específicas do carro, contribuindo para a geração de carga aerodinâmica em conjunto com a asa traseira e o difusor.
A implementação do sistema FTM gerou discussões entre as equipes ao longo do campeonato e, diante da possibilidade de um desenvolvimento ainda maior do conceito, a FIA decidiu bani-lo para 2027.
As modificações em questão não representam uma revolução completa no regulamento, mas devem criar um novo cenário para os projetistas. Com uma menor liberdade em algumas áreas, as equipes precisarão encontrar novas maneiras de recuperar o desempenho perdido. Como a temporada de 2026 já demonstrou, pequenas brechas podem se transformar em grandes vantagens competitivas.