Estratégia no GP da Holanda de Fórmula 1
A estratégia de pneus tem potencial para influenciar significativamente o resultado do Grande Prêmio da Holanda de Fórmula 1. Embora Lando Norris tenha conquistado a pole position e a equipe McLaren tenha demonstrado um bom desempenho durante a classificação, os dados de ritmo e desgaste indicam que as equipes Mercedes e Ferrari estão muito próximas em termos de performance. Além disso, a Pirelli considera que uma corrida com apenas uma parada nos boxes é a opção mais rápida no circuito de Zandvoort.
Opções de estratégia
A principal estratégia projetada para a corrida é iniciar com pneus Médios e realizar a troca para pneus Duros entre as voltas 27 e 33. Dario Marrafuschi, diretor de motorsport da Pirelli, explicou que a dificuldade em ultrapassar favorece essa abordagem. Segundo Marrafuschi, “juntando todos os dados de degradação, desempenho e desgaste, acreditamos que a estratégia de uma parada será o caminho. Em duas paradas, você pode acabar enfrentando problemas com o tráfego”.
A vantagem dessa estratégia, no entanto, é apenas marginal. As simulações sugerem que a combinação de pneus Médio-Duro seria apenas cerca de um segundo mais rápida ao longo de toda a corrida em comparação com a opção de iniciar com pneus Macios e depois utilizar pneus Duros. No segundo cenário, a janela ideal para a troca de pneus aparece entre as voltas 26 e 32. É importante destacar que a Ferrari e o piloto Max Verstappen, da Red Bull, possuem um jogo novo de pneus Macios disponível, enquanto McLaren e Mercedes não têm esse recurso, o que abre diferentes possibilidades para os pilotos que estão na frente.
Desempenho das equipes
Os números de ritmo também colocam a Ferrari em uma posição competitiva. Nas simulações de corrida, a Mercedes aparece como referência, mas a equipe italiana está apenas 0s07 por volta atrás. A McLaren apresenta um déficit de 0s15, enquanto a Red Bull encontra-se 0s47 atrás. Após essas equipes, a diferença de ritmo aumenta significativamente, com a Racing Bulls a 1s18, a Audi a 1s27 e a Alpine a 1s49.
Alternativas de estratégia
Uma alternativa que ganhou destaque após a Sprint de Charles Leclerc é a estratégia de uma parada utilizando pneus Médio e Macios. O desempenho de Leclerc com um jogo usado de pneus Macios levantou a possibilidade de estender o primeiro stint até uma janela entre as voltas 35 e 41. Nesse cenário, os pneus Macios teriam aproximadamente 0s6 de vantagem nas primeiras voltas do stint em comparação aos carros que utilizam pneus Duros, embora essa estratégia exija que os pilotos completem uma longa distância até a bandeirada.
Para aqueles que optarem por realizar duas paradas, a projeção mais rápida seria a combinação Médio-Duro-Macio. As janelas para as trocas seriam entre as voltas 24 e 30 para a primeira troca e entre as voltas 46 e 52 para a segunda. Outra possibilidade seria a estratégia Macio-Médio-Médio, antecipando as paradas para as voltas 21 a 27 e, em seguida, entre 45 a 51. O tempo total previsto para essas estratégias não difere muito da estratégia de uma parada, desde que o piloto consiga aproveitar pneus mais novos para fazer ultrapassagens.
Condições climáticas
O clima também representa uma variável importante para a corrida. A previsão indica baixa probabilidade de chuva, mas o circuito de Zandvoort pode enfrentar pancadas rápidas de chuva devido à sua proximidade com o Mar do Norte. Além disso, o vento deverá ser um fator relevante, com intensidade sustentada próxima de 20 km/h e rajadas que podem chegar até 35 km/h. Movimentos repentinos da traseira, provocados pelo vento, podem aumentar a temperatura e o desgaste dos pneus, obrigando um piloto que inicialmente planejou uma parada a migrar para uma estratégia de duas paradas.
Considerações históricas
O histórico recente também recomenda cautela. Na edição anterior do GP da Holanda, Oscar Piastri conquistou a vitória utilizando a estratégia Médio-Duro-Duro, mas suas duas paradas ocorreram durante períodos de Safety Car. Para a corrida de 2026, com diferentes possibilidades de pneus, pouca diferença de tempo entre as principais estratégias e incertezas sobre a facilidade para ultrapassar, a disputa em Zandvoort tende a ser definida não apenas pelo ritmo puro, mas também pela escolha do momento certo para realizar as paradas nos boxes.