Mudanças nas Diretrizes para Pilotos da Fórmula 1
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) fez alterações nas diretrizes para pilotos da Fórmula 1 para a temporada de 2026, com foco em uma maior flexibilidade e aplicação do bom senso, o que é considerado uma vitória significativa para os competidores. Essa mudança ocorre após diversas críticas direcionadas aos comissários, que frequentemente tratavam essas diretrizes como regras absolutas, ao invés de utilizá-las como uma base para chegar a soluções bem fundamentadas.
Contexto das Mudanças
Um dos maiores exemplos dessa situação foi o Grande Prêmio do Brasil no ano anterior, onde os comissários responsabilizaram Oscar Piastri pela causa de uma colisão envolvendo Kimi Antonelli e Charles Leclerc na Primeira Curva, resultando em uma penalização de 10 segundos para o piloto da McLaren. Piastri estava na parte interna da pista, mas acabou travando a roda dianteira esquerda e deslizou em direção a Antonelli, que colidiu com Leclerc, fazendo com que o Ferrari sofresse danos irreparáveis.
Os comissários argumentaram que Piastri não estava suficientemente ao lado dos outros pilotos e que seu travamento indicava uma manobra excessivamente ousada, afirmando que, segundo as regras, a penalidade aplicada estava correta. No entanto, essa decisão gerou controvérsias, uma vez que muitos espectadores e outros pilotos afirmaram que Antonelli havia fechado a porta para Piastri de maneira abrupta.
Carlos Sainz, em particular, expressou confusão em relação a essa decisão, comparando-a a várias situações que ele mesmo enfrentou durante a temporada de 2025. Essa polêmica, além de outras decisões controversas do ano, resultou em uma reunião entre equipes, pilotos e a FIA na penúltima rodada do campeonato, realizada no Catar. O resultado dessa reunião pode ser observado nas novas diretrizes ajustadas.
Principais Alterações nas Diretrizes
Uma das modificações mais significativas refere-se ao conceito de travamento de rodas, que não implica mais automaticamente que um piloto perdeu o controle do veículo. Essa situação pode ocorrer devido a "leis da física" ou simplesmente como uma tentativa de evitar uma colisão com outro carro. Essa foi uma das argumentações apresentadas por Piastri em Interlagos, onde ele destacou que não poderia simplesmente "desaparecer" em uma fração de segundos.
Agora, os comissários reconhecerão que em uma manobra de ataque, uma vez que um carro tenha conquistado o direito à curva, o outro não pode simplesmente se afastar, uma vez que o ponto de tangência pode variar dependendo da linha de corrida e da natureza da curva.
Sistema de Pontos de Penalização
Modificações também foram implementadas no sistema de pontos de penalização, que agora serão atribuídos somente para ações "perigosas, imprudentes ou aparentemente deliberadas que resultem em uma colisão", ou "por outros comportamentos inaceitáveis ou antidesportivos". No caso de Piastri, ele recebeu dois pontos de penalização pela situação ocorrida no ano passado.
Diretrizes Mais Rigorosas sobre Defensivas
Além disso, foram estabelecidas diretrizes mais rigorosas para motoristas que saem da pista enquanto defendem uma posição. Em várias ocasiões, um carro atacante na parte externa pode ser forçado a sair da pista, o que muitas vezes é considerado um incidente de corrida. Um exemplo notável disso foi a defesa de Max Verstappen contra Lewis Hamilton no Grande Prêmio do Brasil de 2021.
Agora, as diretrizes estabelecem que: “Se, enquanto defende uma posição, um carro deixar a pista [ou cortar uma chicane] e retornar na mesma posição, isso será geralmente considerado pelos comissários como uma vantagem duradoura”. Portanto, geralmente, a posição deve ser cedida. A decisão sobre se um piloto está "defendendo uma posição" ficará a critério exclusivo dos comissários.
As mudanças nas diretrizes visam tornar as decisões dos comissários mais justas e equilibradas, reconhecendo a complexidade das manobras de corrida e a dinâmica das interações entre os pilotos.