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Por que Gresini considerou deixar a Ducati na MotoGP

por Bernardo Oliveira
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Por que Gresini considerou deixar a Ducati na MotoGP

Rivalidade entre as Equipes Satélites da Ducati

Em muitas famílias com dois filhos, os pais frequentemente precisam intervir para mediar disputas domésticas motivadas pela rivalidade e pelo ego. Essa dinâmica pode ser transposta para o paddock da MotoGP, onde a Ducati tem desempenhado esse papel de mediação entre suas duas equipes satélites, VR46 e Gresini, por vários anos.

Relação Tensa

Ao perguntar em qualquer uma das garagens sobre o estado de seu relacionamento, a resposta é consistente: “Não nos damos bem de jeito nenhum.” Insiders da Ducati vão além. “É exatamente isso – é como ter que mediar constantemente entre duas crianças que estão sempre brigando. É exaustivo”, afirmou um executivo sênior da fabricante de Borgo Panigale em entrevista à Motorsport. A marca italiana há muito tempo tenta equilibrar as relações entre a estrutura VR46 de Valentino Rossi e a equipe fundada por Fausto Gresini, atualmente sob a liderança de Nadia Padovani, após o falecimento de Gresini devido à COVID-19.

Escalada de Tensão

As tensões entre as duas equipes aumentaram ainda mais após a decisão de transferir Fermin Aldeguer para a VR46 a partir de 2027. O espanhol, que atualmente compete ao lado de Alex Marquez na Gresini e foi nomeado Rookie do Ano em sua temporada de estreia na MotoGP, mudará de equipe sob a influência da Ducati, um movimento que não foi bem recebido pela gestão da Gresini.



A reação em Faenza foi forte o suficiente para levantar brevemente dúvidas sobre a renovação do contrato da Gresini com a Ducati, que expira no final da temporada. Os próprios desejos de Aldeguer não foram suficientes para alterar o resultado: ele havia afirmado consistentemente que preferiria permanecer na Gresini se tivesse a escolha.

Desafios para Gresini

Com Alex Marquez já definido para se juntar à KTM, a substituição dessa linha será extremamente difícil. Essa é exatamente a razão pela qual a Gresini esperava manter Aldeguer – um objetivo que, em última análise, se mostrou inatingível por várias razões, algumas delas diretamente ligadas à VR46.

Um fator chave reside no fato de a VR46 herdar o status de equipe apoiada pela fábrica, anteriormente detido pela Pramac, que fez a transição para a Yamaha em 2025. A equipe baseada em Tavullia assinou um contrato de dois anos (2025–2026), com a opção de extensão por mais três temporadas (2027–2029) – uma cláusula que já foi ativada, embora ainda não tenha sido anunciada oficialmente devido às negociações em andamento entre os fabricantes (MSMA) e o detentor dos direitos comerciais da MotoGP.

Esse status de apoio da fábrica concede certas vantagens sobre as outras equipes clientes da Ducati, embora, nas duas últimas temporadas, isso não tenha se traduzido em resultados ou visibilidade. Em 2024, grande parte da atenção caiu sobre Marc Marquez, que, ao lado de seu irmão, terminou à frente de Fabio Di Giannantonio e Franco Morbidelli na classificação.

Desempenhos Contrastantes

Em 2025, Alex Marquez conquistou a segunda posição em uma campanha de destaque – três vitórias e 12 pódios – em forte contraste com as performances mais contidas de Di Giannantonio (quatro pódios, sexto no geral) e Morbidelli (dois pódios, sétimo). Aldeguer terminou logo atrás de Morbidelli, embora sua vitória na Indonésia e três pódios adicionais o tornassem um frequentador das manchetes.

Há uma corrente de pensamento que sugere que a Desmosedici GP24 pilotada por Alex Marquez em 2025 era mais equilibrada do que a GP25 utilizada por Di Giannantonio – uma afirmação que poucos teriam previsto anteriormente.

A Situação Contratual de Aldeguer

Para entender a mudança de Aldeguer, é necessário examinar sua situação contratual. O espanhol está diretamente vinculado à Ducati por meio de um contrato assinado em sua última temporada na Moto2, que vai até 2028. Apesar de suas ambições de se juntar à equipe de fábrica ao lado de Marc Marquez em 2027, ele acabou aceitando o caminho delineado naquele acordo.

Um aumento salarial também desempenhou um papel decisivo, tornando-o o primeiro piloto não italiano a se juntar à VR46 – uma equipe com recursos financeiros superiores aos da Gresini. Aldeguer, portanto, está prestes a receber a última especificação da máquina, equiparando-se a Marc Marquez e Pedro Acosta, mesmo que todas as motos da Ducati sejam esperadas para convergir tecnicamente sob as novas regulamentações que entrarão em vigor em 2027. A partir desse momento, o desenvolvimento ao longo da temporada provavelmente será o principal diferenciador entre os pilotos apoiados pela fábrica e os demais.

Futuro da Gresini

Fontes da Motorsport indicam que o futuro companheiro de equipe de Aldeguer deverá utilizar um pacote padrão. A forma atual de Di Giannantonio o coloca em uma posição forte para manter seu assento, embora a VR46 também esteja aberta à possibilidade de assinar com Nicolo Bulega, um ex-membro da VR46 Academy.

A saída de Aldeguer atuou como um gatilho para que a Gresini explorasse alternativas com outros fabricantes. No entanto, as opções são limitadas. As relações com a Aprilia estão tensas – se não forem piores do que as com a VR46 – após o rompimento que encerrou a parceria em 2021, quando a Aprilia fez a transição para o status de fábrica total.

A Gresini também manteve discussões com a Honda, embora ainda não esteja claro se existia uma oportunidade genuína para reavivar uma parceria que anteriormente resultou em segundos lugares com Sete Gibernau (2004) e Marco Melandri (2005), ou se as conversas eram principalmente uma tática de negociação para fortalecer sua posição com a Ducati.

De qualquer forma, a rota da Honda não se concretizou. Com a Yamaha atualmente sem competitividade, continuar com a Ducati surgiu como a opção mais viável.

Novos Adicionamentos na Gresini

No que diz respeito aos pilotos, Dani Holgado está prestes a ser a primeira adição ao futuro line-up da Gresini. O espanhol, que atualmente ocupa a terceira posição no campeonato da Moto2, esteve em conversas com a Yamaha, mas é entendido que informou a fabricante de Iwata sobre sua decisão nos últimos dias.

Para a segunda vaga, vários candidatos estão sendo considerados. A principal opção é Enea Bastianini, que está ansioso para retornar à equipe onde conquistou suas primeiras vitórias na MotoGP em 2022. No entanto, o italiano ainda está vinculado à KTM, que possui uma opção em seu contrato para uma terceira temporada – uma cláusula que precisaria ser renunciada para que a mudança acontecesse.

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