Análise de Rob Smedley sobre a Troca de Engenheiros de Corrida na Ferrari
A Importância do Conhecimento Técnico
Rob Smedley, ex-engenheiro de corrida da Ferrari, destacou uma característica de engenheiros de corrida que o "dói" ao analisar a troca de engenheiros de Lewis Hamilton na equipe italiana. Ele afirmou que os profissionais que ocupam essa função devem possuir conhecimento suficiente para responder rapidamente às perguntas dos pilotos.
Smedley afirmou: "Eu realmente acho que é 50/50", referindo-se à divisão entre o trabalho mental com o piloto e as habilidades técnicas do engenheiro. Ele fez essa observação durante o podcast High Performance, ao ser questionado sobre o papel do engenheiro de corrida.
Comparação com Outros Esportes
"Do que eu sei sobre outros esportes, como futebol e rugby, a divisão é sempre cerca de 50/50 ao se trabalhar com atletas. Em uma equipe de Fórmula 1, o engenheiro de corrida é efetivamente o treinador principal daquele piloto, então você não pode chegar sem ter uma ideia sobre a parte técnica do trabalho", acrescentou Smedley.
Ele enfatizou que é fundamental compreender como o carro funciona, como o piloto interage com o veículo e como otimizar todo esse pacote. Contudo, ele alertou que se o engenheiro não entender que há um ser humano dentro do carro — um atleta com todas as falhas que "mortais comuns" possuem — a relação nunca funcionará adequadamente.
Desafios de Hamilton na Ferrari
Na primeira temporada de Hamilton na Ferrari, ele enfrentou dificuldades para se adaptar à nova equipe e para estabelecer uma boa relação com seu engenheiro de corrida, Riccardo Adami. Para a temporada de 2026, Adami foi transferido para outra função, e o novo engenheiro em tempo integral de Hamilton ainda não foi confirmado.
Smedley comentou: "Se você comparar com Max e GP [Gianpiero Lambiase], Lewis é novo na equipe e a relação com seu engenheiro ainda está em desenvolvimento."
Frustrações e Comunicação
Referindo-se a uma mensagem de rádio em 2025, quando Hamilton brincou que Adami deveria fazer uma xícara de chá enquanto esperava pela resposta a uma pergunta, Smedley acrescentou: "Se esse tipo de comentário está acontecendo no rádio, a relação ainda não está totalmente formada, e é aí que pode se tornar prejudicial. É um sinal claro de que as frustrações estão crescendo."
Ele continuou: "Aliás, é trabalho do engenheiro de corrida conhecer o suficiente sobre o carro e estar a par de seu trabalho para que, quando o piloto faz uma pergunta, você possa responder rapidamente. Isso me dói quando ouço ‘vamos voltar a você’. Isso não é um call center."
Pressão do Desempenho
Smedley ressaltou a pressão que os pilotos enfrentam, afirmando: "O piloto está tentando performar em 10/10 enquanto dirige a 200 mph. Responda a ele e dê confiança. Se você responde como se precisasse perguntar a alguém, aqueles pequenos momentos corroem a confiança, e a relação se torna tensa."
Relação com Sebastian Vettel
O engenheiro de corrida em questão, segundo Smedley, teve uma longa e bem-sucedida carreira e foi recomendado a Lewis por Sebastian Vettel. Smedley comentou que ele teve uma ótima relação e muitos sucessos com Vettel, mas observou que, às vezes, a dinâmica entre piloto e engenheiro não se encaixa. Ele lembrou de sua própria experiência com Felipe Massa em 2006: "Se não houver conexão, não funciona."