Testes Coletivos da Fórmula 1 no Bahrein
A temporada 2026 da Fórmula 1 teve seu início oficial nesta manhã, com a realização do primeiro dia de testes coletivos no circuito do Bahrein. Durante um período de seis dias, equipes e pilotos terão a chance de testar, pela primeira vez em condições reais, os carros desenvolvidos para o novo ciclo técnico, enquanto se preparam para a etapa inaugural do campeonato, prevista para março na Austrália.
Condições Climáticas
As condições climáticas foram favoráveis ao longo do dia. Com temperaturas em torno de 22°C e uma leve brisa, o cenário foi consideravelmente mais estável em comparação com o que ocorreu em Barcelona, onde o shakedown foi realizado sob temperaturas incomumente frias. No Bahrein, contudo, o vento característico do deserto se tornou um fator de atenção, pois trouxe areia para a pista, o que reduziu a aderência em alguns trechos. Apesar disso, os novos carros, que são menores e mais ágeis, mostraram-se mais estáveis em relação à geração anterior, especialmente em condições de rajadas de vento lateral.
Atividades na Pista
A movimentação na pista foi intensa desde os primeiros minutos de atividade. Um total de onze pilotos participou da sessão inicial, com Oscar Piastri assumindo a liderança provisória nas primeiras horas ao registrar um tempo de 1min37s964. Gabriel Bortoleto, também esteve na pista logo no início, completando voltas de instalação antes de registrar tempos mais competitivos. Em termos de quilometragem, Avril Lindblad, da Racing Bulls, destacou-se ao acumular rapidamente mais de 20 voltas e chegou a liderar temporariamente a tabela com 1min37s945.
Interrupções e Incidentes
A primeira interrupção do dia ocorreu quando Franco Colapinto parou na lateral da pista, resultando em bandeira vermelha. O piloto argentino da Alpine tentou reiniciar seu carro, mas precisou ser removido por um guincho. Posteriormente, a equipe resolveu o problema no A526, permitindo que ele retornasse à pista, embora tenha ficado atrás na contagem de voltas, contabilizando 23 giros em comparação com 46 de Carlos Sainz naquele momento. Colapinto foi o único piloto a enfrentar problemas mecânicos significativos nas quatro primeiras horas de testes.
Além disso, ocorreram pequenos incidentes que não tiveram maiores consequências. Lewis Hamilton, agora pilotando pela Ferrari, rodou ao perder a traseira na entrada de uma curva, deslizando de ré para a área de escape. Max Verstappen, por sua vez, teve uma forte travada na curva 1, levantando fumaça dos pneus C2, mas conseguiu retornar à pista sem aparentes danos.
Resultados Iniciais
Ao final das primeiras quatro horas de testes, Verstappen conseguiu colocar a Red Bull no topo da tabela de tempos, registrando 1min35s433, o que o deixou 0s169 à frente de Piastri e 0s675 mais rápido do que George Russell. O piloto holandês completou mais de 40 voltas e demonstrou um ritmo consistente durante a sessão, mesmo após ter abandonado o tradicional número 1, optando por correr com o número 33 nesta temporada. Somente Sainz e Hamilton haviam acumulado mais voltas até aquele momento. Considerando que a corrida no Bahrein tem um total de 57 voltas, um dia produtivo de testes normalmente supera a marca de 100 giros, uma meta que ainda estava distante no início da sessão.
Desempenho das Equipes
A Mercedes, que é vista por muitos como uma possível equipe a ser desafiada neste novo regulamento, iniciou os testes sem enfrentar problemas de confiabilidade. A lembrança de 2014, quando a equipe dominou o início da era turbo-híbrida e conquistou oito títulos consecutivos de Construtores, alimenta o otimismo em torno das Flechas de Prata. Russell completou 38 voltas sem contratempos significativos.
McLaren e Ferrari
A McLaren, atual bicampeã de Construtores e com Lando Norris vindo de seu primeiro título em 2025, apresenta um clima de confiança moderada. Tanto Norris quanto Piastri mostraram otimismo após os testes em Barcelona, e os primeiros sinais indicam que a equipe deve continuar na disputa com Red Bull, Mercedes e Ferrari. Piastri acumulou mais de 20 voltas na sessão da manhã, mantendo-se entre os mais rápidos.
A Ferrari começou de maneira discreta e consistente, enquanto a Aston Martin chamou a atenção pelo design do carro projetado por Adrian Newey, especialmente na região dos sidepods e na asa traseira, que se destacam visualmente em relação às concorrentes. Lance Stroll foi um dos pilotos que trabalharam com pneus duros ao longo da manhã.
Haas e Audi
A Haas, que teve uma temporada irregular no ano anterior, tem como objetivo ampliar a faixa de desempenho do carro para diferentes tipos de pista. A equipe manteve a dupla Esteban Ocon e Oliver Bearman, sob a liderança de Ayao Komatsu. Ocon chegou a liderar brevemente a tabela com um tempo de 1min37s668 e encerrou parte da sessão entre os primeiros, utilizando pneus médios C3.
A Audi, que assume definitivamente o projeto da antiga Sauber a partir de 2026, continua sediada em Hinwil, embora esteja desenvolvendo sua própria unidade de potência. Os pilotos Nico Hülkenberg e Gabriel Bortoleto permanecem como titulares. Bortoleto completou 25 voltas nas primeiras horas e ocupou a oitava posição, dentro de um programa focado na coleta de dados e adaptação ao novo pacote técnico.
Mudanças nos Pneus
Outro ponto técnico observado durante os testes foi a mudança nos pneus. Os compostos deste ano são ligeiramente mais estreitos em comparação aos de 2025, e as calotas foram removidas. Alguns pilotos relataram, após os testes em Barcelona, uma menor aderência na saída das curvas, em parte atribuída à redução de pressão aerodinâmica, embora as temperaturas frias também tenham influenciado. No Bahrein, Sainz trabalhou extensivamente com os pneus médios C3 e completou mais de 60 voltas, demonstrando satisfação com o comportamento de seu carro.
Com um número significativo de voltas completadas e apenas uma bandeira vermelha relevante, o primeiro período de testes no Bahrein indicou uma sólida confiabilidade para a maioria das equipes. Embora seja cedo para tirar conclusões definitivas, os primeiros sinais apontam para um potencial equilíbrio entre as quatro principais forças do grid, enquanto projetos como os da Audi e Haas buscam consolidar sua evolução em um dos ciclos técnicos mais aguardados da Fórmula 1 recente.