A Trajetória de Fernando Alonso na Fórmula 1
Fernando Alonso tem refletido sobre sua sorte durante a segunda fase de sua carreira na Fórmula 1. Em meio a oscilações entre anos melhores e períodos mais difíceis, o piloto conclui que mais de uma década sem vitórias na F1 "não soa certo".
Última Vitória e Anos Difíceis
A última vitória de Alonso na Fórmula 1 aconteceu no Grande Prêmio da Espanha de 2013, que representou sua 32ª conquista na categoria. Desde então, as oportunidades para garantir uma 33ª vitória têm sido escassas. Os anos seguintes foram marcados por máquinas que não conseguiam competir por vitórias. O carro da Ferrari de 2014 representou um retrocesso com a introdução da nova fórmula de motores V6 turbo-híbridos, e sua mudança para a McLaren, atraído pela promessa de um time que utilizaria motores Honda, foi desastrosa. Mesmo a troca para motores Renault em 2018 não trouxe avanços significativos, já que o departamento de chassis da equipe não se focou adequadamente.
A Pausa e o Retorno à F1
Dessa forma, Alonso decidiu se afastar da Fórmula 1, iniciando um sabático de dois anos. Ele voltou ao campeonato em 2021 para substituir Daniel Ricciardo, quando a Renault se transformou na Alpine. Embora não estivesse em condições de vencer, ele ajudou Esteban Ocon a conquistar sua primeira vitória no Grande Prêmio da Hungria daquele ano.
Crescimento das Inquietações com a Alpine
No entanto, as preocupações de Alonso com a Alpine começaram a aumentar. Uma série de problemas com o trem de força durante a temporada de 2022 resultou na sua mudança para a Aston Martin, após a aposentadoria de Sebastian Vettel deixar uma vaga em aberto. O início de 2023 foi promissor, já que o AMR23, projetado por Dan Fallows, foi o único carro capaz de rivalizar com o RB19 da Red Bull. No entanto, as frequentes aparições no pódio não foram suficientes para garantir uma vitória.
A Corrida em Mônaco e a Frustração Contínua
Muitos consideram a corrida em Mônaco daquele ano como a melhor chance da Aston Martin de conquistar uma vitória. Contudo, uma parada de pneus mal planejada para slicks, pouco antes de uma forte chuva, extinguiu qualquer chance restante de vitória. Alonso terminou a corrida em segundo lugar, atrás de Max Verstappen, e, desde então, se autodenominou como talvez o piloto mais azarado da Fórmula 1. Embora muitos que não possuem campeonatos, vitórias ou até mesmo pontos possam contestar essa afirmação, é inegável que o talento de Alonso não tem sido plenamente aproveitado.
Reflexões sobre Sorte e Desafios
Ao adotar uma perspectiva menos hiperbólica, Alonso sugere que os 418 grandes prêmios de sua carreira equilibraram, em grande parte, as experiências boas e ruins. No entanto, ele continua frustrado pela demora em conquistar sua 33ª vitória. “Boa sorte, má sorte, eu diria que é 50-50, para ser honesto. O que acontece é que, ao fazer mais de 400 corridas, há muitas corridas com boa sorte e muitas com má sorte, mas acredito que tudo se compensou”, afirmou Alonso.
Ele exemplificou sua sorte em Le Mans, lembrando que, na segunda corrida em 2019, ele estava a duas voltas do líder antes de uma série de problemas que afetaram seus oponentes, permitindo que ele conquistasse a vitória. “Isso foi muita sorte do nosso lado. Então tudo se compensou. Mas sim, provavelmente ao longo de 20 anos, ou talvez mais de 10 anos desde que ganhei meu último Grande Prêmio de F1. Isso não soa certo para mim”, complementou.
Questões Estratégicas e Perdas de Pontos
Durante a temporada de 2025, Alonso sentiu que havia sido prejudicado por estratégias de equipe em algumas corridas. Por exemplo, em Zandvoort, ele expressou seu descontentamento ao perceber que parou para os pits momentos antes da entrada do safety car, quando Lewis Hamilton teve um acidente. Ele sugeriu que sua equipe “se esqueceu de mim na primeira metade da corrida” e, mais tarde, reclamou que sempre era colocado em tráfego quando questionado sobre o equilíbrio de seu carro.
Alonso estima que perdeu "22 pontos" neste ano devido a infortúnios. Ele acredita que, quando o carro é competitivo, ele perde pontos em corridas difíceis, enquanto em finais de semana em que o carro é pouco competitivo, tudo ocorre de forma tranquila. Essa visão pode ter sido moldada por sua corrida em Mônaco, onde parecia prestes a conquistar pontos antes de enfrentar um problema no trem de força.
Reflexões sobre a Perda de Pontos
"Já estamos em 22, eu acho. É uma pena que não possamos terminar as corridas por mérito quando estamos entre os pontos", lamentou. "E então, quando estamos lentos, porque somos não competitivos, normalmente as coisas sempre correm bem até a bandeirada e não marcamos pontos. Mas assim é, esta é a natureza do esporte. E desde que no próximo ano tenhamos um bom carro, estaremos em uma sorte normal. Não pedimos boa sorte, mas uma sorte normal está boa."
Alonso refletiu sobre a perda de 22 pontos, que pode parecer uma quantia baixa, especialmente porque não está disputando o campeonato mundial. “Por que eu deveria me preocupar com 22 pontos em uma temporada como esta? É muito esforço e determinação para marcar cada ponto quando o carro só consegue um ou dois pontos por final de semana. Perder 22 é uma quantidade enorme”, concluiu.