Retrospectiva da Fórmula 1 nos Estados Unidos
Há 20 anos, a Fórmula 1 enfrentou um momento embaraçoso diante do público americano, evidenciando-se como excessivamente política, complicada e descuidada com sua própria imagem, resultando em apenas seis carros na pista em Indianápolis.
A Era Ecclestone
Sob a liderança de Bernie Ecclestone, a F1 tinha suas particularidades: batalhas constantes entre as equipes e os chefes do campeonato, principalmente em questões financeiras, com os Acordos de Concorde sendo assinados em cima da hora e conversas intermináveis sobre campeonatos dissidentes. Esse era um exemplo claro da estratégia de "dividir para conquistar".
Tanto Ecclestone quanto a Liberty Media, atualmente, tentaram conquistar o público americano, mas a F1 frequentemente parecia mais preocupada em seguir seu próprio caminho do que em conquistar a audiência dos Estados Unidos.
A Situação Atual da F1 nos EUA
Embora a Fórmula 1 ainda não tenha alcançado o que se considera uma vitória nos Estados Unidos, ela permanece "pequena" se comparada aos esportes que dominam os finais de semana americanos. Entretanto, a F1 atual não pode ser acusada de não estar se esforçando.
O atual chefe da F1, Stefano Domenicali, esteve ocupado anunciando novos acordos no último final de semana. Poucas horas antes da corrida de domingo, foi divulgada a notícia de que o Circuito das Américas, em Austin — a pista que trouxe a F1 de volta aos Estados Unidos em 2012 após a saída de Indianápolis em 2007 — permanecerá no calendário até pelo menos 2034, mantendo o número de corridas americanas em três no futuro próximo.
Parceria com a Apple
Porém, a grande novidade veio mais cedo, na manhã de sexta-feira: a parceria de transmissão com a Apple TV, supostamente avaliada em cerca de 140 milhões de dólares. O que realmente importa para Domenicali não é apenas o dinheiro. Os tempos em que a Fórmula 1 simplesmente vendia imagens de televisão e as convertia em receita acabaram. O que é significativo agora é a marca por trás disso — a Apple — que pode ajudar a F1 a crescer nos Estados Unidos e além.
Essa parceria segue, naturalmente, o filme produzido pela Apple e o sucesso de "Drive to Survive", que mostrou à F1 o quanto ainda há de potencial inexplorado na América do Norte.
A Corrida em Austin
A corrida em si, por sua vez, não foi um grande espetáculo. O duelo entre Lando Norris e Charles Leclerc foi suficiente para manter o interesse, mas garantir que todas as corridas sejam emocionantes é um desafio que a Fórmula 1 provavelmente nunca conseguirá vencer — e talvez nem deva se esforçar tanto para isso. No entanto, no contexto geral, este final de semana pode se mostrar crucial para o campeonato deste ano.
De modo geral, foi uma boa exibição da F1 em Austin, algo que Domenicali e a Liberty Media podem considerar satisfatório. A disputa pelo título parece ressurgir, e agora há o potencial para um grande final, reminiscente de 2010.
Mudanças na Disputa pelo Título
Algumas semanas atrás, após a corrida em Zandvoort, a situação parecia quase irreversível — não apenas para Norris, que sofreu uma queda significativa na pontuação com sua aposentadoria, mas também para Domenicali e todos que acompanham o campeonato. Oscar Piastri liderava com 34 pontos e parecia pronto para espremer a emoção da temporada de maneira metódica: calma, impassível, quase sem esforço. A sensação era de que aquele título estava decidido.
Vender algo assim — nos Estados Unidos ou em qualquer outro lugar — é uma tarefa difícil.
A Retomada de Max Verstappen
Max Verstappen estava tão distante que, quando Andrea Stella advertiu em Baku que ainda considerava Max uma ameaça, a maioria da mídia pensou que ele estava brincando. Porém, agora, na McLaren, ninguém está rindo — isso é certeza. O piloto holandês se reintegrou de forma contundente em uma batalha interna da McLaren que já havia perdido seu brilho.
Red Bull e a Empolgação no Campeonato
Muitas pessoas merecem reconhecimento pelo ressurgimento da Red Bull, incluindo o novo chefe da equipe, Laurent Mekies, e o chefe técnico, Pierre Wache, além de todos em Milton Keynes. A Fórmula 1 deve a eles por injetar uma nova empolgação na disputa pelo título — e por fazer isso no momento e lugar certos.
E, goste ou não, foi a adição da querida corrida curta de sábado de Domenicali que trouxe um novo enredo, com a dupla aposentadoria da McLaren mudando completamente a dinâmica do campeonato.
Embora possa não ter sido o tipo de espetáculo que cativaria fãs casuais americanos que acabaram de assistir ao que se revelou o filme mais bem-sucedido de Brad Pitt, se mesmo alguns deles permanecerem para acompanhar a disputa pelo título que se desenrola, Domenicali poderá dormir tranquilamente.