Drama no GP do Japão de Fórmula 1 de 2026
Se o Grande Prêmio do Japão de Fórmula 1 de 2026 pudesse ser definido por uma única palavra, esta seria "drama". Na verdade, seria "dorama". Este termo, ao contrário do que muitos podem supor, não se refere apenas às conhecidas novelas sul-coreanas repletas de romance. A origem do termo remete à forma de pronunciar "drama" em japonês e se aplica a produções de origem asiática que têm duração breve e abrangem diversos gêneros. A edição da corrida no Circuito de Suzuka trouxe um enredo que se assemelha a um dorama, repleto de nuances e reviravoltas.
Suspense Antes da Corrida
Antes mesmo do início da etapa, um clima de suspense já se fazia presente. A pauta principal era a mudança nas regras de classificação promovida pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo). A proposta consistia em reduzir a energia máxima permitida por volta, passando de 9,0 MJ para 8,0 MJ. Essa alteração foi uma resposta às reclamações dos pilotos, especialmente de Charles Leclerc, da Ferrari, que, dias antes, havia expressado sua insatisfação com a dinâmica de classificação, afirmando que o uso máximo de energia estava prejudicando o desempenho real dos competidores. George Russell, que na época liderava o campeonato, também se mostrou favorável à mudança. Contudo, na prática, essa alteração teve pouco impacto na formação do grid, assim como não alterou o equilíbrio entre as equipes.
Questionamentos Sobre o Novo Regulamento
O suspense não se limitou à questão da classificação. Um dos doramas japoneses de maior sucesso recente, "Alice na Fronteira", apresenta uma trama em que pessoas são transportadas para um mundo alternativo e precisam participar de jogos para sobreviver, sem conhecimento prévio das regras ou dos desafios que enfrentarão. Da mesma forma, a corrida em Suzuka gerou questionamentos por parte de muitos pilotos sobre o comportamento dos carros em uma pista reconhecida por sua alta velocidade e pela complexidade de certos trechos. A corrida da categoria suporte reforçou essas preocupações: um erro ou um deslize e um carro pode ultrapassar as barreiras de proteção, como ocorreu em um incidente que, felizmente, não resultou em feridos, mas que gerou pânico.
A Largada e os Primeiros Episódios
Os pilotos adentraram a arena de jogos. A McLaren teve um bom desempenho na largada, enquanto a Mercedes não correspondeu às expectativas. A Ferrari também trouxe emoção para as primeiras voltas da corrida, levando a um desenrolar que se assemelhou aos episódios 4 e 5, onde a ação diminui antes da reta final. Até aquele momento, o enredo parecia sob controle.
O Acontecimento Marcante
Contudo, o episódio 6 trouxe uma reviravolta. Um carro escapuliu para fora da pista durante uma forte batida, e Oliver Bearman não esperava ser o ponto de virada da corrida, desencadeando uma discussão que provavelmente se estenderá por todo o mês de abril. Em situações como essa, as pessoas lembram que o automobilismo é um esporte de alto risco, assim como os jogos em "Alice na Fronteira".
Diversas análises e críticas sobre o novo regulamento já começaram a surgir, e reuniões estão sendo realizadas para discutir as providências necessárias. Assim, esta análise decide se afastar do dorama. O episódio 7 viu mais uma vitória de Kimi Antonelli, e o episódio 8, que deve trazer a conclusão do GP do Japão, será apresentado ao longo do mês, com várias explicações e, possivelmente, algumas medidas da Fórmula 1. Sem revelar muitos detalhes, o dorama mencionado encerra sua primeira temporada dessa maneira: jogadores abalados por uma nova dinâmica e precisando se preparar para outra, sem compreender completamente quais ações podem ser tomadas para sair daquela situação.
O Esquecido no Campeonato
Enquanto o GP do Japão apresentava seu próprio suspense, um piloto vivia o terceiro episódio do tipo mais frustrante de dorama: o esquecido. Esse é aquele que começa com um primeiro episódio interessante, um segundo bom, um terceiro confuso e sem graça, levando o espectador a desistir de acompanhar. O piloto em questão é o atual campeão mundial, Lando Norris.
A Comparação com Outros Pilotos
O primeiro ponto a ser esclarecido é: por que Norris é o foco e não Max Verstappen? A resposta é simples: Verstappen se assemelha mais a um dorama saturado, que apesar de não estar apresentando um bom desempenho nas pistas com o carro atual da Red Bull, ainda oferece situações inusitadas, como a polêmica expulsão de um jornalista de uma coletiva e a sua própria narrativa sobre a aposentadoria em 2027, que se tornou quase cômica pela forma como vem sendo abordada.
Norris tinha um enredo promissor em seu primeiro episódio: desacreditado por muitos, ele conquistou o título após uma intensa disputa com Verstappen. Ele parecia satisfeito com o novo regulamento e com o carro desenvolvido pela McLaren, e aqui estamos no segundo episódio. No entanto, no GP da Austrália, que representa nosso terceiro episódio nesta análise, ele desapareceu do radar. Sua atuação trouxe confusão ao telespectador, que não viu nem mesmo uma passagem midiática relevante em Melbourne.
Desempenho na Temporada
O quarto episódio, na China, começou de forma promissora: um quarto lugar na corrida sprint animou um pouco a audiência. Contudo, a transmissão foi interrompida e a McLaren não conseguiu alinhar os dois carros na corrida principal, frustrando as expectativas criadas. A espera de mais duas semanas foi como colocar Norris "na geladeira". O público não consegue se conectar sem uma rotina de exposição consistente ao conteúdo.
O GP do Japão foi ainda mais decepcionante para Norris. Mesmo com um quinto lugar, o piloto foi completamente ignorado. O acidente de Bearman poderia ter justificado a falta de foco no atual campeão mundial, mas a realidade é que, mesmo sem o acidente, Norris ainda estaria em uma posição de invisibilidade. Seu desempenho tem sido marcado pela falta de resultados que garantam sua relevância no campeonato.
Essa ausência não é uma simples "pirraça" por parte dos jornalistas ao redor do mundo. Os resultados na pista têm colocado Norris como um coadjuvante: em três corridas, ele acumulou apenas 25 pontos no campeonato. Vale ressaltar que a pior pontuação em circunstâncias semelhantes foi a de Sebastian Vettel em 2014, durante uma troca de regulamento que levou a Mercedes ao destaque. É importante lembrar que Vettel já contava com quatro títulos mundiais, estando consolidado como um grande nome da Fórmula 1.
Exemplos de Campeões
Se a comparação for feita com pilotos que conquistaram apenas um título, podemos citar três exemplos marcantes neste século: Kimi Raikkonen, que se destacou na Fórmula 1 por seu jeito frio, apesar de não ter números impressionantes; Jenson Button, que também não possui grandes recordes, mas venceu o campeonato com uma Brawn; e Nico Rosberg, rival de Lewis Hamilton, eternizado por decidir se aposentar no auge de sua carreira.
Além de Norris, outros três campeões mundiais estão presentes no grid de 2026. Mesmo em momentos difíceis, todos eles conseguiram manter-se em evidência. A dificuldade que enfrentam também faz parte de uma narrativa que será lembrada por anos pelos fãs do automobilismo. Norris, por sua vez, parece ter desistido cedo demais de sua luta.
Se depender de Kimi Antonelli, o atual campeão mundial pode ser rapidamente esquecido. Diferentemente dos doramas tradicionais, o dorama de Norris terá mais episódios. Resta saber se se tornará apenas mais um enredo arrastado e esquecido pelo público ou se conseguirá recuperar a força e encerrar a temporada como uma memória positiva para aqueles que ainda não desistiram de acompanhar sua trajetória.